"No Brasil, o branco não gosta do preto e o preto também não gosta do preto." A conclusão do dramaturgo Nelson Rodrigues após uma viagem ainda adolescente ao Recife, em 1929, fez com que ele sentisse vontade de escrever uma peça sobre negros. A ideia só sairia do papel em 1946, motivada pelo convívio com o jovem ator negro Abdias do Nascimento, a quem ele dedicaria o papel do protagonista no espetáculo Anjo Negro, Ismael, um doutor de anel no dedo, belo, orgulhoso de si próprio, mas que trava uma batalha consigo próprio pelos sentimentos contraditórios trazidos por sua condição de ser negro.